BOLO de NOZ
Eu sei muito bem porque é que os bolos
das avós são sempre melhores que os nossos. Ainda hoje fiz um de noz
e saquei-lhe pelo menos 50 gramas de açúcar, também já a contar comer
mais do que o razoável e deixar a consciência mais tranquila. Isto
vem a propósito do sonho da noite anterior.
Continuo mais ou menos com a mesma cara, tanto quanto consigo ver, cabelos desordenados e absolutamente brancos. A miúda chama-se Aurora. Consegui convencer os pais a darem-lhe este nome, que é o nome da bisavó e que significa "o nascer do sol". A avó Aurora era uma senhora muito distinta que tocava piano com absoluta elegância e perfeição e nunca se ouvia nela um tom de voz alto ou agressivo. Não era grande cozinheira mas fazia sempre sopa de legumes e a mesa era posta com primor.
Adiante, a Aurora é uma miúda de cabelos castanhos e crespos, difíceis de pentear, olhos curiosos e inquietos e resposta pronta. Tem cinco anos, irá para o ano para a escola, gosta de livros de bichos, esfola muitos vezes os joelhos no quintal à procura de carreiros de formigas, como eu fazia quando era pequenina. Brinca por ali sozinha sem grande vigilância, eu sei que ela está a imaginar um cenário qualquer de aventuras e desventuras porque às vezes aparece ofegante a dizer que encontrou finalmente o fim do arco-íris. Eu pergunto-lhe pelas moedas e ela volta a sair disparada. Pois é, esqueci-me de trazer. E lá vai. Hoje tem a saia com joaninhas que lhe comprei e uma camisola rosa claro que já está um bocadinho negra, as sapatilhas estão gastas na ponta porque tem o vício de andar a arrastar a ponta dos pés. Daqui a nada é hora de jantar mas não faz mal, eu nunca liguei muito a horas para fazer coisas não será agora, depois de velha. Toma garota, vê se está bom. Esfarela-se metade do bolo no chão, que está ainda morno. Está mesmo maravilhoso, avó! E dá-me um abraço com as 50 gramas de açúcar a mais a que todos os bolos têm direito.
Continuo mais ou menos com a mesma cara, tanto quanto consigo ver, cabelos desordenados e absolutamente brancos. A miúda chama-se Aurora. Consegui convencer os pais a darem-lhe este nome, que é o nome da bisavó e que significa "o nascer do sol". A avó Aurora era uma senhora muito distinta que tocava piano com absoluta elegância e perfeição e nunca se ouvia nela um tom de voz alto ou agressivo. Não era grande cozinheira mas fazia sempre sopa de legumes e a mesa era posta com primor.
Adiante, a Aurora é uma miúda de cabelos castanhos e crespos, difíceis de pentear, olhos curiosos e inquietos e resposta pronta. Tem cinco anos, irá para o ano para a escola, gosta de livros de bichos, esfola muitos vezes os joelhos no quintal à procura de carreiros de formigas, como eu fazia quando era pequenina. Brinca por ali sozinha sem grande vigilância, eu sei que ela está a imaginar um cenário qualquer de aventuras e desventuras porque às vezes aparece ofegante a dizer que encontrou finalmente o fim do arco-íris. Eu pergunto-lhe pelas moedas e ela volta a sair disparada. Pois é, esqueci-me de trazer. E lá vai. Hoje tem a saia com joaninhas que lhe comprei e uma camisola rosa claro que já está um bocadinho negra, as sapatilhas estão gastas na ponta porque tem o vício de andar a arrastar a ponta dos pés. Daqui a nada é hora de jantar mas não faz mal, eu nunca liguei muito a horas para fazer coisas não será agora, depois de velha. Toma garota, vê se está bom. Esfarela-se metade do bolo no chão, que está ainda morno. Está mesmo maravilhoso, avó! E dá-me um abraço com as 50 gramas de açúcar a mais a que todos os bolos têm direito.

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